
Pedro Pena Bastos ainda nem tem 30 anos e já apresenta um trabalho bem mais maduro e bem conseguido que muitos Chefs mais experientes, com 3 estrelas Michelin ou com lugares cimeiros na lista dos 50 World Best Restaurants. Como é que consegue? Não sei, mas se é preciso ir várias vezes a um restaurante para aferir com exatidão a qualidade do trabalho de um Chef e sua equipa, então considero que estamos mais do que habilitados a fazê-lo.

Foi a nossa sétima visita ao restaurante da Herdade do Esporão (desde que o Chef Pedro Pena Bastos assumiu o seu lugar, ou seja, desde 2014), a refeição foi memorável e, ainda por cima, é mais do que evidente uma evolução no seu trabalho. Se na primeira visita já tudo era perfeito, nesta sétima visita ficou uma sensação de "como é que isto é possível". Como é que possível haver um Chef destes e continuar fora dos radares nacionais e internacionais? Como é que é possível haver alguém que consiga apresentar um menu de quase 20 momentos em que todos estão ao mesmo nível, e esse nível é bem alto? E todos tão lindos que, como disse uma estrangeira na mesa ao lado, mereciam ser fotografados e emoldurados? Como é que é possível aliar a isso uma equipa sempre tão simpática, cuidadosa e atenciosa? E ter ainda, como cereja no topo do bolo, uma vista de sonho? Não percebo, mas tudo isso é possível. No Esporão.
Infelizmente, nem tudo é perfeito, e não estaria a ser honesto se não o referisse. O sistema de reservas nem sempre funciona corretamente. É algo que tem de ser aprimorado, para se poder ter, no global, uma experiência incrivelmente perfeita.

Nesta sétima visita aceitámos a sugestão que nos foi feita e escolhemos o menu mais completo (Tempo da Terra, €90 por pessoa) que teve uma duração de 2 horas e meia.
Antes de se dar início ao menu, algumas "surpresas do Chef".

Tartletes com ervilhas, iogurte de leite de ovelha e pó de azeitona.

Crocante de algas com lingueirão.

Tosta crocante com cabeça de xara e fígado de pato.

Algo que não decorei nem apontei, mas muito bom...
Tudo delicioso.
Como couvert:

O pecaminoso pão do Esporão (só da vontade de comer, comer, comer...).
Um blend de azeites do Esporão feito pelo Chef - super intenso, como gosto.

Flatbread de queijo de Serpa e sementes e manteiga batida com gordura de porco fumada - que foram uma perdição para a minha mulher.

Pancetta de porco fumada.

Manteiga envelhecida.
Quando vi o couvert a chegar tive pena por não ver a habitual prova de azeites, mas o blend ficou excelente (se bem que talvez demasiado intenso para alguns) e todos os outros elementos do couvert são fantásticos.
Ainda antes do menu, mais dois pratos.
Espetada de lagostim do rio marinada em miso e sésamo com flor de brócolos.

Creme com as cabeças de lagostim do rio e granizado de maçã e brócolos.
Começando então com o menu Tempo da Terra:
Sarrajão, favas e caldo fumado

Pormenor do delicioso caldo fumado

Gamba rosa, caviar ibérico, cebolas com lavanda, funcho selvagem
Pastel de ervas e ovo, boletus, capuchinhas
Ostra de 4 anos, couves, vinagre de algas

Corvina, ameijoas, curgete, amêndoas verdes

"Ode ao Alentejo", pecoço de borrego merino, grão, folhas de trincadeira, levístico


Presa de porco preto, cebolas, alperce, raiz de aipo
Tudo divinal e com uma apresentação fora de série.
Passando para as sobremesas

Nêspera, flores, avelã
Sementes torradas, framboesa, shiso

Para terminar, as mignardises.



Os vinhos servidos.




Todos muito bons, até para quem, como nós, não aprecia muito vinho.


O Esporão não só é bastante kids friendly (com cadeira apropriada e serviço 5 estrelas) como também tem menu infantil (sopa, prato e sobremesa).


Para terminar na perfeição, fizemos uma visita pela magnífica cozinha. Pouco fotografei, mas o asseio, os espaços e as equipas são fantásticas.
Final mesmo perfeito, com ainda um bónus.

A ementa do dia assinada pelo Pedro Pena Bastos.
Não sei que mais há a escrever. Local perfeito, serviço perfeito, comida perfeita... Daí que regressemos tantas vezes, e sempre com a certeza de que vamos sair muito satisfeitos.
Ah, e onde é que está a estrela?!