A fotografia que escolhi recentemente para identificar o meu perfil neste blog ilustra bem a minha paixão por Barcelona. Tive o privilégio de viver nesta cidade durante alguns meses e, além disso, já a visitei mais quatro vezes. E a quinta visita já está planeada para este ano. Aliás, acho que Barcelona é, depois de Lisboa, a minha cidade preferida, e a única, fora do país, onde me imagino a viver.
Razões para gostar de Barcelona não faltam. O mar, a montanha, a história, a arquitetura, o comércio, o clima, os museus, os jardins e, sobretudo, a vida. Barcelona tem vida.
Para quem, como eu, é apaixonado por arquitetura, Barcelona é um sonho! Um sonho real, felizmente. Percorrer as ruas do Eixample, um bairro espelho do modernismo na arquitetura, é quase garantia de ficar com um torcicolo. É que temos de andar constantemente a olhar para as fachadas incríveis dos prédios que se sucedem rua acima, rua abaixo, cada um mais bonito que o outro. E depois temos de fotografar cada janela, cada varanda, cada porta, cada beiral, cada pedaço de parede (algumas parecem forradas a papel)! Eu não me canso de percorrer estas ruas, um autêntico museu a céu aberto.
Este fabuloso bairro do Eixample, do qual fazem parte o Passeig de Gràcia (com as lojas mais luxuosas do mundo entre as magníficas obras de Gaudí) e a Sagrada Família (mais uma criação fantástica de Gaudí, ainda inacabada, mas cada vez mais bonita), foi planeado a meio do século XIX, pelo urbanista Ildefonso Cedrà, impulsionado pela necessidade de expandir a cidade para lá dos limites da cidade velha (também ela digna de visita demorada).
O bairro foi pensado para albergar as famílias da classe burguesa da cidade, em edifícios agrupados em quarteirões octogonais que permitem a entrada da luz solar e a circulação do ar, ocupando ruas e avenidas largas e retas paralelas e perpendiculares entre si. As esquinas dos quarteirões têm a particularidade de serem cortadas, o que permite uma melhor circulação do trânsito, com maior visibilidade, e hoje em dia permite o estacionamento de carros e motas à porta das casas.
Podemos considerar que Cerdà foi um visionário neste projeto, uma vez que na altura o trânsito era ínfimo quando comparado com o dos nossos dias. E a verdade é que este bairro permite, ainda hoje, uma qualidade de vida ímpar, que, na minha opinião, se vai manter durante muitos, muitos anos.
Só entre nós, com o Euromilhões, comprávamos uma casinha no Passeig de Gràcia, não comprávamos? Bem, por mim também pode ser na Rambla de Catalunya...
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