Quem o afirma é Giles Coren, crítico gastronómico Inglês que escreve para o The Times desde 1993, já publicou três livros, apresenta programas de televisão na BBC2 e venceu o prémio British Press Awards Food and Drink Writer of the Year, bem como o Literary Review’s Bad Sex Prize.
E não, a frase não está retirada do contexto, nem ele quis escrever outra coisa. A afirmação dificilmente poderia ser mais clara:
Estas "simpáticas" palavras surgem na sua mais recente crítica no The Times após visita ao novo restaurante em Londres do Chef português Nuno Mendes - Taberna do Mercado.
Não satisfeito, afirma ainda:
"The food in Portuguese hotels is never Portuguese. People are on holiday. It just wouldn’t be fair"
Infelizmente, ou talvez não, não consigo ter acesso à sua crítica completa. Porém, Lucy Pepper (inglesa a viver em Portugal), ilustradora, artista plástica, cartoonista, animadora, autora e colunista no Observador, ajuda a perceber que mais é que Giles Coren escreveu.
E, aparentemente, não gostou de praticamente nada do que comeu no restaurante de Nuno Mendes e "utilizou o resto do artigo para explicar que toda a comida portuguesa é um nojo e que “nunca tinha comido uma garfada com gosto” em todas as visitas que fez a Portugal."
Ora apesar de compreender que Giles Coren não é levado muito a sério na imprensa britânica e que gosta de se armar em engraçadinho, não posso ler estas suas palavras com um sorriso na cara. Nem me interessa se teve ou não uma má experiência em Portugal há uns anos (não relacionada com a comida portuguesa), porque não vejo como é que isso pode afetar o seu entendimento sobre a gastronomia portuguesa.
A brincar ou não (e eu não acredito que ele tenha feito estas afirmações a brincar, ou apenas com o intuito de chamar a atenção, apesar de também o ter sido), Giles Coren ofendeu Portugal, a sua gastronomia e, por arrasto, arrasou Nuno Mendes e o seu trabalho.
A brincar ou não, Giles Coren tem mais de 172 mil seguidores no Twitter, e muitos são aqueles que acabam por ler as suas críticas no The Times.
Giles Coren podia ter circunscrito as suas palavras ao restaurante de Nuno Mendes. Era isso que lhe era exigível, e não uma crítica gratuita a um país e à sua gastronomia. Ainda por cima, sem qualquer sentido. Gostos são gostos, mas não é preciso exagerar.
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