Há dias recebi uma chamada da minha gestora de conta. Nunca tinha falado com ela e nem sequer sabia da sua existência.
Num tom de voz bastante áspero, disse-me que tinha de ir ao balcão ter com ela para falarmos. Quando lhe perguntei porquê, explicou-me que tínhamos de falar sobre o meu dinheiro porque as aplicações que tinha não faziam qualquer sentido face à minha faixa etária, e o dinheiro que tinha na conta à ordem não poderia estar lá. Tinha de ser aplicado.
Ao longo da conversa ouvi, diversas vezes, "isso não faz sentido", "tem de passar a saber aplicar o seu dinheiro", sempre num tom severo, como se lhe tivesse feito algum mal, e a conversa começou com ela a tratar-me por doutor, a meio passou para senhor e no fim usou o meu nome próprio.
Eu permaneci praticamente todo o tempo em silêncio, fingi que escrevia os seus contactos e desliguei a chamada quando ela terminou de falar, certo que nunca mais daria um único segundo de tempo de antena àquela mulher.
Percebo que, na qualidade de gestora de conta, estivesse a desempenhar o seu papel ao aconselhar melhores formas de aplicar dinheiro, mas não pode ser insistindo que tudo o que cliente fez, e faz, está mal, ao mesmo tempo que fala ao estilo de professora (neste caso de economia) e intima para ir ao balcão falar com ela.
Nunca precisei de uma gestora de conta e, felizmente, sei bem analisar os produtos financeiros à minha disposição. Tal como sei que esta senhora desempenha pessimamente a sua função, conseguindo a proeza de afastar clientes em vez de os garantir.
Haja paciência!
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