Filipe Consciência

Alhambra e Generalife


 


Fica em Granada, uma encantadora cidade da Andaluzia.


 



 


Desde a zona antiga da cidade, junto ao rio Darro e ao Albaizin (antigo bairro muçulmano, pitoresco e muito bem preservado) podemos observar lá no alto o magnífico Alhambra, enorme e imponente, com os seus palácios em tons ocres e uma sucessão de torres, varandas e janelas onde percebemos que os turistas param a admirar a cidade branca cá em baixo.


 



 


Ao fundo, a neve brilha nos pontos mais altos da Serra Nevada. Aqui em baixo estão 36º ao sol quando começamos a subida íngreme que nos leva à colina onde está erguida a fortaleza que contém o Alhambra e o Generalife.


 


Mas a subida faz-se muito bem, sempre à sombra das árvores de uma floresta verdejante e densa que me fez lembrar a Serra de Sintra. E vale bem a pena esta subida. Lá no alto somos bem recompensados.


 



 


Podia ser a oitava maravilha do mundo. Consta que é o monumento mais visitado de toda a Espanha e bem merece. É deslumbrante, inebriante e inesquecível. É uma experiência para os cinco sentidos.


 


Recordo a luz do sol a iluminar o ocre das paredes, os raios de sol filtrados pelos esguios ciprestes verde escuros, as cores vibrantes dos azulejos tão característicos do estilo mourisco, as mais variadas cores das flores dos jardins tão bem cuidados.


 



 


Recordo as texturas que nos são permitidas sentir ao longo do percurso, nos gessos trabalhados dos arcos, no mármore do chão, nas madeiras das escadas, nos azulejos das paredes frias.


 


Recordo o som da água que corre por todo o lado, nas fontes, nos repuxos e até no corrimão de uma escadaria, o canto dos pássaros que estão por todo o lado, o sussurrar das folhas das árvores sopradas pela brisa suave que nos refresca em cada esquina, o silêncio que nos é permitido sentir em múltiplos recantos dos jardins.


 


Recordo o cheiro inebriante das tílias em flor, das glicínias, das rosas de Damasco, das laranjas. Recordo até o sabor doce e refrescante do gelado que comemos à sombra das árvores com vista para o Alcazar.


 



 


Por tudo isto, sei que não mais poderei esquecer este dia e este sítio. E não quero, de forma alguma, que este texto se transforme num guia turístico. Quero apenas poder relê-lo quando me apetecer recordar. E, se possível, despertar em que me lê, e não conhece este lugar, a vontade de partir o mais depressa possível.


 


Alhambra significa "Vermelha" em árabe. Penso que a cor ocre que hoje vemos pode bem ser o reflexo daquilo que terá sido no passado, uma cidade vermelha, que muito me lembra Marraquexe pela cor, pelas muralhas, pelas características arquitectónicas, pelo calor e pelas sombras refrescantes dos jardins... Foi construída na dinastia Nasrida, quando os árabes ainda detinham o poder em Granada, durante os séculos XIII e XIV.


 



 


Começámos a visita pelo Generalife, a casa rural dos sultões, absolutamente divinal, sobretudo pelos seus jardins simétricos, repletos de fontes, repuxos, árvores e plantas em flor com um cheiro bom e inebriante.


 



 


Daqui conseguimos ver os palácios e a fortaleza do Alhambra em todo o seu esplendor.


 



 


Depois percorremos o longo caminho até ao palácio de Carlos V, este mais recente e em estilo Renascentista, mas nem por isso menos bonito.


 


Lá dentro, a surpresa: um magnífico museu de belas artes, repleto de obras incríveis de arte sacra e de paisagens relativas ao Alhambra e a Granada, totalmente gratuito para cidadãos da União Europeia.


 



 


No ponto mais distante do percurso fica o Alcazar, a fortaleza que defendia a cidade, com as ruínas da antiga Medina e as magníficas torres que nós permitem uma visão panorâmica de 360º sobre a cidade e a Serra Nevada.


 



 


Por fim, e porque o melhor deve sempre ficar para o fim, os Palácios Nazaries.


 



 


É difícil descrever a beleza destes palácios, mas fica na memória a riqueza dos seus tectos em madeira, das suas paredes forradas a azulejos com formas geométricas diversas e coloridas, dos arcos em gesso minuciosamente trabalhados como se fossem de renda, dos seus pátios com fontes refrescantes...


 



 


E aquela vista da varanda sobre o Albaizin jamais será esquecida.


 


Só entre nós, foi uma bela surpresa esta. Não foi?


{#emotions_dlg.kiss}

0