Foram ontem aprovada as alterações à lei da interrupção voluntária da gravidez. E eu não podia estar mais de acordo com a introdução do pagamento de taxas moderadoras para as mulheres que decidem abortar voluntariamente. Não porque as condene, de forma nenhuma. Pelo contrário, sou contra o aborto mas não a favor da penalização de quem o pratica.
Penso que cada mulher deve ser livre de escolher aquilo que faz com o seu próprio corpo, sem ser penalizada judicialmente por isso, por várias razões, sendo que a principal se resume à hipocrisia subjacente a tudo isto. Desde sempre houve mulheres a abortarem, de forma voluntária, clandestinamente e sem as mínimas condições de higiene e segurança. Haverá sempre mulheres a abortarem voluntariamente. Por isso, parece-me bem melhor que esse ato possa ser praticado dentro dos hospitais e em condições apropriadas.
A questão das taxas moderadoras é ridícula. Se uma mulher não é isenta para outros cuidados de saúde, significa que pode pagar as taxas moderadoras. Logo, pode pagar a taxa moderadora em caso de aborto voluntário. Porque não?
Pessoalmente, sou até a favor do pagamento destas taxas em qualquer situação, desde que a pessoa possa pagar e não esteja isenta por razões de carência económica.
No meu caso, quando há cerca de um ano sofri um aborto espontâneo, recorri ao serviço de urgência e paguei a taxa moderadora. Porquê? Porque estava a ser seguida num consultório particular e não tinha (ainda) boletim de grávida... Infelizmente, nesse dia, o que menos me custou foi pagar a taxa moderadora.
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