Há uns dias fui ao meu centro de saúde (algo que não fazia há muitos anos, felizmente) e entrei às 8 horas. Fui o primeiro, tirei a minha senha e fiquei à espera para ser chamado. Uns minutos depois apareceu uma senhora, na casa dos 70 anos, que respirava com muita dificuldade. Pediu ajuda ao segurança para tirar a senha, ao mesmo tempo que explicava que se tratava de uma urgência.
Quando chegou ao balcão para ser atendida, explicou à funcionária que tinha vindo a correr para chegar ao centro de saúde às 8 horas e ser a primeira a ser atendida. Logo aí, percebi que o motivo de tamanha urgência não se devia à difícil respiração.
Atendida, a senhora sentou-se ao meu lado na sala de espera e tirou da mala uma sandes e um sumo. Tranquilamente a ver televisão e a tomar o pequeno-almoço (já a respirar normalmente), ficou à espera da sua vez, que não demorou muito. Afinal, tratava-se de uma urgência. Sem tempo para acabar de comer a sandes, lá arrumou tudo e caminhou para as salas.
Andava normalmente, respirava normalmente, e, assim à primeira vista, não parecia ter nada que justificasse uma urgência. Nem um "ai" soltou.
Dois minutos depois, e não mais do que isso, reapareceu, saída do gabinete médico e com um sorriso na cara. Cumprimentou as funcionárias e foi embora.
A sério? Serei eu o único a achar estranho tudo isto? Afinal, que urgência era aquela que ficou tratada em apenas dois minutos e que não aparentava nenhum problema visível?
Até que ponto é que as outras "urgências" que apareceram a seguir, e que atrasaram todos os outros que estavam à espera há longos minutos, eram verdadeiras urgências?
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