Estamos cansados de ver morrer inocentes, cidadãos comuns como nós, que no decurso da normalidade pacífica das suas vidas, acabam por morrer sem saber como nem porquê, à mercê de um abjeto terrorista, que, em nome sabe-se lá de que Deus ou de que ideal, mata sem apelo nem agravo aqueles que com ele tiveram o azar de se cruzar num qualquer dia do ano, a qualquer hora, em qualquer lugar.
Há já quinze anos que enfrentamos esta triste realidade e o medo é cada vez maior. Talvez porque cada vez mais frequentes são os atentados. E muito próximos de nós. Vivemos a terceira guerra mundial, ainda que ninguém o queira admitir. Para quem viaja como nós, por todo o mundo, há muitos anos, tudo isto parece ainda mais passível de nos atingir, a qualquer momento, em qualquer aeroporto, comboio ou estação de metro. O medo é agora ainda maior porque viajamos com um bebé de meses, a quem demos a vida e a quem nunca, nunca, poderemos pensar perder.
Estou revoltada. Hoje talvez mais do que nunca. Digo basta. Não podemos continuar a aceitar isto passivamente. Não aqui na Europa, na nossa casa.
Não consigo mais ouvir o discurso dos políticos europeus, que repetem, sucessivamente, atentado após atentado, as mesmas frases feitas, as mesmas lamúrias, "as condolências às famílias das vítimas", "o não nos acobardamos perante o terrorismo", "não deixaremos vencer o medo".
E então? O que têm feito para combater isto a sério? Não têm medo? Pois claro que não. Algum político a sério viaja sem acautelar a sua segurança? Algum deles entra no metro em Bruxelas para ocupar o seu lugar nas reuniões europeias?
Esta política da conversa fiada, das poucas ações, já está desacreditada. Já não serve. É preciso passar aos atos. Se conhecem os terroristas, se sabem quem são, então mudem as leis. Prendam-nos antes de os deixarem atentar contra as nossas vidas.
Tenho a liberdade como o bem supremo deste mundo ocidental em que vivemos. Não quero subjugar-me ao medo. Mas acho que o fim desta terceira guerra mundial passa por uma mudança a sério nas políticas europeias, nas quais já não acredito.