Achar que o facto dos pais serem educados, inteligentes e bem sucedidos na vida, é suficiente para que o filho também se torne numa pessoa igualmente educada, inteligente e bem sucedida, sem que seja necessário fazer alguma coisa ao longo do seu crescimento, a não ser oferecer-lhe todas as prendas que quiser, é demasiado triste.
Educar não é oferecer todos os brinquedos que o filho quer, dar festinhas na cabeça quando é mal educado ou justificar todas as suas atitudes inaceitáveis porque é um coitadinho.
Educar não é nada disso, principalmente quando os pais passam a vida centrados no trabalho com o objetivo de ganharem cada vez mais, apesar de já ganharem mais do a maioria dos portugueses; despejam o filho em casa dos avós e tios, porque é mais fácil entregá-lo na casa dos outros do que tê-lo em casa; e deixam-no ao cuidado da empregada (quando já não têm lata suficiente para deixar outra vez na casa dos outros) e acham que ela, apesar de não ter tido grande sucesso na educação dos seus próprios filhos, vai tornar o filho deles num ser perfeito.
Educar não é deixar o filho à sua própria sorte e esperar que dê tudo certo, só porque sim.
Educar não é perceber, trinta anos depois, que o filho criado não vale nada, e desculpabilizá-lo dizendo que, coitadinho, tem problemas, em vez de admitirem que são os maiores, se não os únicos, responsáveis pela miséria criada e tentarem fazer alguma coisa para corrigir os erros.
Educar não é desistir de educar os filhos.
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