Filipe Consciência

Compra o que vendo, mas não olhes para mim!

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Em primeiro lugar, não tenho nada contra os gordos, nem contra os magros, nem contra os "normais". Este post é apenas sobre uma questão de marketing.


 


Há uns dias passei por uma banca junto a um Pingo Doce onde uma senhora gorda (sem ofensa) fazia publicidade a um produto que prometia uma perda de 6 quilos num mês e ventre liso.


 


Serei só eu a achar isto estranho? Atenção que a senhora não era "um pouquinho gorda". Nada disso, era mesmo bem obesa. 


 


Onde é que está o marketing deste produto? Só vejo 3 hipóteses:


- Ou ela era bem mais gorda e está a passar o testemunho de como já perdeu peso (mas só quem a conhece é que sabe);


- Ou querem mostrar diariamente os efeitos do produto e a pessoa tem de lá passar todos os dias para poder comprovar os resultados (pela campanha de marketing para obrigar as pessoas a passar pelo Pingo Doce diariamente);


- Ou estava a substituir uma colega à hora de almoço...


 


Já sei que muitos vão dizer:


Mas qual é o mal dela ser gorda?


Tens alguma coisa contra os gordos?


Fez-te assim tanta diferença?


Mas os gordos agora não podem trabalhar?


Os gordos não têm os mesmos direitos dos magros?


Vai à m#rda!


 


Mas a verdade é que isto é estranho... No fundo é como haver:


- uma pessoa cheia de acne a vender produtos para acabar com o acne;


- carecas a convencer os outros que têm um produto que devolve o cabelo em 3 dias;


- uma mulher cheia de celulite a vender um creme miraculoso contra a celulite;


- um homem a vender repelentes para as melgas e cravejado de picadas desde a ponta do cabelo à unha do dedo grande do pé...


 


Enfim, tudo meio estranho, não? Se querem vender um produto que deixa o ventre liso, então arranjem uma mulher com o ventre liso. Caso contrário duvido que haja alguém que compre o produto. Isto do marketing já não é o que era... Volta Don Draper! Estás perdoado!

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