
O meu querido marido gosta muito de ler sobre restaurantes e Chefs de cozinha. Recentemente, descobriu que perto do seu trabalho tinha um restaurante de um conceituado Chef português, Miguel Castro e Silva. Ainda por cima, adorámos a experiência que tivemos no restaurante O Largo, onde o Chef era precisamente este.
Combinámos então um belo dia soalheiro da semana passada para experimentarmos este restaurante, cuja carta apresentada na internet prometia tanto como o nome do Chef. Fizemos a reserva e às 13 horas em ponto lá estávamos para almoçar.
Ao chegarmos à porta do restaurante tivemos logo alguma dificuldade em entrar porque a impedir a passagem estavam dois senhores a fumar. Percebemos depois que pertenciam ao staff do restaurante, o que não deixa de ser estranho, para não dizer pior...
Lá conseguimos que se desviassem para podermos passar. Mal entrámos percebemos que o restaurante, que é muito pequeno, cheirava a fumo de tabaco e cigarrilha por todo o lado... Isto é muito desagradável, sobretudo para não fumadores num restaurante de não fumadores. Queixámo-nos imediatamente do cheiro, questão que foi desvalorizada pelo empregado, que atribuiu o cheiro ao facto de estarem a fumar à porta...
Ainda assim, lá fomos até à mesa que nos tinham destinado e que ficava na ponta oposta à porta de entrada, esperando que aí não se sentisse o cheiro.
Pelo caminho, ainda que curto, tive o azar (ou a sorte) de olhar para a parede junto ao balcão de serviço. O que vi é quase indescritível. Uma parede suja, pintada de branco mas agora mais castanha que branca, com um rodapé todo escalavrado...
Ao chegar à nossa mesa, nem me consegui sentar. Ia a puxar a cadeira quando olhei para a mesa e vi que estava coberta por um vidro que não deve ser levantado para limpar desde que o restaurante abriu. E os individuais usados estavam com um aspeto tenebroso, todos destruídos nos bordos, coisa que não acho admissível num restaurante de classe supostamente inferior, mas muito menos no restaurante de um Chef conceituado e que cobra pela refeição valores compatíveis com meia estrela Michelin...
Chamei a atenção do meu marido para estes detalhes e disse-lhe que lamentava muito mas não podia ficar ali e pagar para comer num sítio destes. Ele concordou de imediato e comunicou ao empregado que íamos sair, tendo explicado brevemente os motivos.
Acabámos por almoçar muito bem num sítio bem mais convencional, mas que já conhecíamos, onde pagámos um terço do que estávamos dispostos a pagar no restaurante do Chef Castro e Silva.
No fim do almoço, o meu querido marido recebeu um e-mail do responsável pelo restaurante De Castro Elias, onde, educadamente e notoriamente preocupado, lamentava o sucedido e perguntava os motivos de termos saído sem comer. Apreciámos o envio deste e-mail, apesar de tudo... Assumiram a situação que descrevi e a explicação dada para o mau estado do restaurante foram as chuvas da semana anterior que deixaram o restaurante alagado. Dizem que vai para obras brevemente...
Enquanto vai e não vai, as portas estão abertas e as condições são deploráveis.
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