Filipe Consciência

É do hospital?


 


Depois do telefonema do outro dia, foi a minha vez de receber um telefonema caricato. O local onde trabalho fica perto de um hospital e, talvez por isso, os números de telefone fixo são parecidos, o que faz com que, muitas vezes, receba chamadas de pessoas que queriam telefonar para o hospital.


"Passe-me ao serviço x."


"A que horas são as visitas?"


"Passe-me ao Dr. y."


"Eu queria saber como está o doente x."


 


Sempre que atendo uma destas chamadas, esclareço à pessoa que não está a telefonar para o hospital e, do outro lado, ouço um pedido de desculpa. Porém, o último telefonema foi ligeiramente diferente.


 


"Bom dia, queria falar com o Dr. José.", pediu um homem.


"Lamento, mas não trabalha aqui nenhum Dr. José.", respondi.


"Ai trabalha, trabalha!", exclamou. "Dr. José!"


"Não, não trabalha."


"Mas eu estou, ou não estou, a telefonar para o serviço de xxx?"


"Não, não está. Está a telefonar para..."


"Não.", interrompeu-me. "Eu sei que trabalha aí o Dr. José. Jo-sé!", repetiu, devagar, como se eu não tivesse percebido das outras cem vezes.


"Já lhe disse que não! Não está a telefonar para nenhum hospital!", respondi, preparado para desligar o telefone na cara do homem. Até que o ouvi falar e aproximei novamente o telefone da orelha.


"Mas eu sei que estou a ligar para o sítio certo, porque tenho o número aqui escrito à minha frente!"


"Então leia lá o número!", pedi.


"21xxxxxxx."


"Pois. Mas este é o 21xxxxxyy.", afirmei, satisfeito.


"Ah, então afinal é engano..."


 


Haja paciência!


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