Espécie de vizinhos do sexo feminino (ainda não são conhecidos relatos da existência de espécimes masculinos) em extinção, mas que, para muitos homens, é a espécie perfeita para ter nos andares superiores. Esta espécie de vizinhas é dotada de muita lata, pontaria e falta de vergonha.
Segundo relatos prestados pelas mulheres das vítimas, (os homens nunca se queixam desta espécie de vizinhas), estas vizinhas têm uma grande dificuldade em pendurar a sua lingerie nas cordas da roupa e, constantemente, deixam-na cair. Por coincidência, ou não, a lingerie voadora acaba sempre por cair na corda da roupa do vizinho de baixo. Em dias de pouco vento, é possível avistar nas cordas da roupa dos andares por baixo das vizinhas desta espécie, cuecas e soutiens caídos, sem qualquer mola a segurar, à espera de serem recolhidos pelas vítimas. Masculinas, claro.
No fundo, trata-se de uma técnica semelhante à pesca. Com poucas diferenças:
- não há fio de pesca, mas tão somente a arte de atirar a lingerie para a corda certa;
- o isco não é uma minhoca, mas lingerie;
- e o peixe pescado, ou, neste caso, o homem pescado, não é puxado pelo pescador, mas vai, de livre e espontânea vontade, até ao andar de cima, com o soutien na mão, para entregar o isco à pescadora.
Ainda conforme relatos prestados, ao chegar a casa da pescadora, esta costuma demonstrar espanto por ter deixado cair a lingerie e vergonha por esta ter ficado pendurada na corda da roupa do vizinho de baixo. Porém, tal situação volta a repetir-se, a pescadora continua a pescar, o vizinho continua a ser pescado, e quando dão por eles, o vizinho já anseia pela hora de chegar a casa do trabalho para averiguar a corda da roupa e ser pescado.
Em nenhuma outra circunstância, um homem demonstra tanto interesse pela roupa pendurada nas cordas, do que as vítimas desta espécie de vizinhas.
O não tratamento desta espécie de vizinhas pode levar ao aumento de roupas a atirar pelo ar, o que pode resultar num maior número roupa alheia pendurada na corda, do que roupa da própria vítima.
Ainda não existe uma cura totalmente eficaz, mas relatos contam que a intervenção da mulher da vítima tem o dom de terminar com a brincadeira. Basta ser a mulher a ser pescada, e não o homem, e a lingerie passa a ser presa com cinco molas cada uma. Outra opção passa por proibir os homens de se aproximarem das cordas da roupa. Não é tarefa fácil, mas, com esforço, tudo é possível.
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