Filipe Consciência

Ferrugem, Portela (Vila Nova de Famalicão)

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Há muito tempo que o restaurante Ferrugem estava no topo da minha lista de restaurantes a visitar. A enorme e surpreendente criatividade do casal Renato e Dalila Cunha chamou-me a atenção e a visita só teve de ser adiada por causa da distância Lisboa - Vila Nova de Famalicão.


 


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No entanto, e aproveitando umas mini férias no Porto, decidimos, finalmente, cumprir o desejo de ir ao Ferrugem. As expectativas não podiam ser maiores, o que é sempre um “perigo”. Conclusão? O restaurante Ferrugem conseguiu superar todas as minhas melhores expectativas e alcançar o topo da minha lista de restaurantes favoritos.


 


Começando pela localização, o restaurante Ferrugem não fica em Vila Nova de Famalicão. Bem sei que o erro foi meu de pensar que o restaurante ficava na cidade, mas não. O restaurante fica em Portela, a alguns quilómetros de Vila Nova de Famalicão. E se querem um conselho, utilizem o vosso GPS e confiem nele. É que a localização não é a melhor e o restaurante não é o mais fácil de encontrar.


 


Mas certo é que o restaurante é muito bonito. Tanto por fora, como por dentro. Rústico, agradável, confortável e tranquilo. Por “falar” em tranquilo, fomos os únicos clientes durante toda a refeição, o que me fez ficar a pensar na “loucura” de um casal de Chefs com um restaurante de altíssima qualidade/criação numa localização menos privilegiada. Mas ainda bem que há gente assim com tanta coragem.


 


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Antes de passar aos pratos, destaque especial para o serviço, que, como poderão verificar mais abaixo na pontuação, obteve 10 em 10. Apesar de ter hesitado, por não querer dar nota perfeita quando posso encontrar um serviço ainda melhor, a verdade é que se um serviço é perfeito, a nota tem de ser perfeita. E o serviço do Ferrugem foi mesmo perfeito.


 


Desde a excelente receção, à compreensão com o nosso bebé de poucos meses, à maneira de servir, ao cuidado e atenção com tudo, à ajuda no que escolher, à descrição dos pratos, à simpatia… Tudo foi perfeito. Daí o 10. Nada poderia ter sido melhor. Aqui ficam os nossos parabéns e agradecimentos por tudo ao Sr. Abílio Silva.


 


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Ao contrário do que tem sido habitual ultimamente, o Chef Renato Cunha foi à sala falar connosco, foi de uma simpatia extrema e ainda esclareceu uma dúvida que tinha, o que ajudou ainda mais a gostar tanto da refeição e restaurante.


 


Passando então aos pratos, seguimos o conselho do empregado e ficámos na mão do Chef com um menu de degustação “às escuras” de quatro pratos.


 


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Como couvert foi servida uma “Manteiga de azeite”, em tributo à pasta medicinal Couto, que é uma emulsão de azeite para barrar o pão.


 


A manteiga é intensa e deliciosa, mas o ponto alto é a apresentação, com uma embalagem e tubo pensados ao pormenor. E quando existe uma conjugação entre uma apresentação inteligente e um sabor delicioso, nada mais há a desejar.


 


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Como pré-entrada, oferta do Chef, foi servido um caldo verde com azeite de Trás-os-Montes e broa de milho pincelada com azeite e torrada no forno. A ferver, servido numa taça para levar à boca, esta versão do caldo verde não conseguiu convencer totalmente devido ao (demasiado) intenso sabor a chouriço que se fazia sentir. De certeza que este sabor deve ser apreciado por muitos, mas para o nosso paladar mostrou-se um pouco agressivo. Tirando isso, a broa estava muito boa e o caldo verde era interessante.


 


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Para entrada, e primeiro prato do menu, o Chef escolheu um “Bacalhau com todos” que nos deixou verdadeiramente rendidos. Carpaccio de bacalhau, ovo a baixa temperatura, duas variedades de pickle de cebola - em açafrão e beterraba - emulsão de azeite e pasta de azeitona. Leve, fresco e lindo. Apresentação impecável (com uma escolha acertada no tipo de prato) e resultado final excelente.


 


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Para prato de peixe, o Chef escolheu uma “Caldeirada”, com esmagada de batata e calda de caldeirada. Nada a apontar, com todos os sabores de uma caldeirada tradicional e um peixe no ponto.


 


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Para limpar o palato, foi apresentado um sorbet de limão com licor de amêndoa amarga. Como não gosto de amêndoa amarga, não apreciei muito esta escolha, mas a minha querida mulher, na qualidade de apreciadora, gostou bastante.


 


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Antes da sobremesa, e como prato de carne, foi servida uma carne de boi maturada (por 30 dias) com puré de cenoura e “feijoada”. Tenho de confessar que não considerei a melhor combinação com a “feijoada” e puré, mas a carne era tão boa, que tudo o resto foi “perdoado”. Maturada pelo Chef por 30 dias (tal como explicado pelo próprio), a carne, mal passada, tinha um sabor e textura incríveis. O Chef ainda contou que tem o cuidado de escolher sempre carne da região, tendo, na altura, um bocado com 50kg a maturar.


 


Para sobremesa, o Chef, contrariamente ao que seria de esperar (ou talvez não, porque, afinal, o serviço e atenção não podia ter sido melhor) escolheu uma sobremesa para cada um de nós. E, curiosamente, parecia que conhecia bem os nossos gostos.


 


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Para mim foi escolhida uma pêra bêbada sobre tarte de queijo que estava de comer e chorar por mais. Sem um único ponto negativo a apontar.


 


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Para a minha mulher foi escolhido um pudim abade de priscos em mousse, com um toque de caramelo de aguardente vínica com laranja, servido em copo de gelo para evitar que a mousse aqueça.


 


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O copo de gelo era magnífico e, segundo a minha mulher, a mousse era deliciosa. No entanto, para mim, o sabor a toucinho era demasiado intenso. E, infelizmente, ficou a faltar o coração de Viana que o Chef costuma fazer.


 


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Para terminar em beleza, café com pastel de nata, com massa estaladiça e recheio cremoso.


 


Por fim, o preço. €33,00 por pessoa para o menu escolhido e descrito. Dificilmente era possível melhor relação qualidade/preço. Só entre nós, só fica a faltar uma coisa. Uma estrela Michelin. Tal como escrevi aqui, em relação ao Esporão, se é preciso telefonar a convidar os jurados para conhecer o restaurante, então não esperem mais para telefonar. É que a estrela é totalmente merecida. Mais do que outros restaurantes estrelados.


 


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E com esta me fico, com a certeza de que, se puder, regressarei muitas vezes ao Ferrugem, pois o restaurante é merecedor de todos os desvios.


 


Pontuação de 0 a 10


Cozinha (50%) - 9,5


Serviço (25%) - 10


Ambiente (25%) - 9


Pontuação final - 9,5


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