Primeiro, as máquinas fotográficas eram grandes, pesadas, difíceis de guardar em qualquer lado. Depois, a evolução tratou de resolver esse problema, e as máquinas fotográficas passaram a ser pequenas, do tamanho de um cartão de crédito e leves que nem uma pena. No fundo, tal como aconteceu com os telemóveis.
Entretanto, tudo isso deixou de interessar porque veio a moda das máquinas fotográficas grandes, à profissional. Quanto maiores, melhores. Quanto mais longas forrem as suas objetivas, melhor.
Não interessa se as máquinas da moda agora são mais pesadas do que um labrador. Que se lixe se é preciso uma mala especial para a levar de um lado para o outro. Quatro dígitos na etiqueta do preço não são um problema. Para isso é que existem as 234 suaves prestações mensais. E andar com ela todo o dia ao pescoço não chateia nem incomoda.
O que verdadeiramente importa, é que, com aquelas máquinas gigantes, até parecem paparazi profissionais, prestes a fotografar a atriz da moda a sair da casa-de-banho, e conseguem fotografar a cúpula de uma basílica a trezentos metros de distância como se estivessem a dois passos dela.
O problema vem depois. As dores no pescoço e costas levam-nos ao hospital onde se queixam do peso da máquina; os trocos no fim do mês não chegam para pagar as prestações; e não conseguem fotografar os camelos que veem pela janela do carro na Tunísia porque, primeiro que consigam pegar na máquina e afinar a objetivas, já o camelo desapareceu há muito.
Mas pronto. Parecem profissionais. E sentem-se profissionais. Basta ver as suas caras de orgulho por terem a maior câmara do mercado. Tudo a correr bem. Exceto quando a mania do profissionalismo corre mal.
Há uns dias, estava descontraidamente sentado a apreciar um velho que, com a sua máquina de 15 quilos, fotografava intensamente a parte da frente do comboio Alfa na estação do Oriente. O dedo carregava intensamente no botão e todas as perspetivas eram perfeitas. Uma foto tirada por cima, outra por baixo, outra de perfil, outra de joelhos no chão, outra de cócoras... Enfim, a sessão fotográfica só parou quando um segurança se aproximou do velho. Não sei qual o motivo da conversa, mas pareceu-me que o segurança devia estar a dizer que não era permitido tirar fotografias, porque a cara do velho, que segundos antes era de satisfação com o seu modelo, perdeu qualquer sinal de felicidade.
Enquanto a conversa entre os dois se desenrolava, os passageiros iam entrando no comboio com as malas e familiares despediam-se de quem partia.
Pouco tempo depois, o maquinista fez soar o apito, os dois continuaram a falar, já com o velho a apontar a máquina novamente ao comboio, sob o olhar do segurança, as portas foram fechadas e o comboio arrancou. Só nesse momento é que o velho percebeu o que estava a acontecer. E como teve graça vê-lo a correr pela estação a gritar pelo comboio que, supostamente, o deveria levar.
Claro que o comboio não parou e, para trás, ficou o velho. Pelo menos, deve ter ficado com umas fotos lindas do comboio a partir. Pode ser que tenha aprendido a lição e passado a preocupar-se menos em tirar 300 fotos da mesma coisa e mais com o que o rodeia.
Adenda: como bom português que sou, o destino fez com que, imediatamente a seguir a escrever este post, percebesse as vantagens que estas máquinas gigantes têm (apesar de todas as desvantagens acima mencionadas) e ficasse seriamente interessado em comprar uma. Estou, no entanto, indeciso entre duas:
Sony DSC-H400 câmera compacta
Sony ILCE-3000K câmara reflex
Será que alguém podia ajudar?
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