Foram ontem apresentados os novos produtos da Apple e a maior novidade foi a não existência de novidades. É claro que as fugas de informação ajudaram a que ninguém ficasse espantado com nada do que foi apresentado, mas a maior questão, tal como escrevi aqui, é que não houve surpresas nos desenvolvimentos dos produtos. Não houve grandes avanços tecnológicos de deixar o mundo de boca aberta.
Em relação ao iPhone 6, a maior diferença, face aos modelos anteriores, são as suas dimensões. É maior, mais largo, muito mais fino, tem umas linhas mais arredondadas e os botões mudam de sítio e formato. Surge ainda uma nova versão, o iPhone 6 Plus, que leva o iPhone para o mercado dos phablets e que não acrescenta nada de extraordinário.
De resto, não há muito mais a acrescentar... É lógico que tem avanços tecnológicos, novos processadores, um milhão de píxeis e blá blá blá. Mas todos sabemos que, apesar desses avanços serem essenciais para que possamos usufruir de aparelhos cada vez melhores, o que leva a comprar, o que convence, o que faz sonhar, são outros avanços.

E não, não estou a falar da Apple pay, a "grande" invenção que vai revolucionar o mundo e a forma como fazemos as nossas compras. E em que é que consiste a Apple pay? Muito sucintamente, trata-se de um software que permite fazer compras nos estabelecimentos comerciais com apenas a nossa impressão digital. Ou seja, os cartões de débito e de crédito passam a ficar guardados em casa e arquivados no iPhone 6. Ao chegar a uma loja, restaurante ou qualquer outro estabelecimento, basta, no momento de pagar, aproximar o iPhone de um receptor que existe na loja e usar a impressão digital para pagar. Sem códigos. O mesmo funciona online. Deixam de ser preciso inserir nomes, números de cartão, datas de vencimento, códigos e morada. Basta a impressão digital. Simples, certo?
Mais ou menos... Nos EUA, talvez. A Apple já estabeleceu acordos com os maiores bancos e cadeias de lojas dos Estados Unidos e, até ao fim do ano, deve estar tudo a funcionar normalmente nesses estabelecimentos.
Mas e no resto do mundo? E em Portugal? Fala-se em 2015 para se poder começar a utilizar o iPhone para pagar, mas quem é que me convence que, quando o sistema começar a funcionar em Portugal, não vai ser só nas grandes lojas? Vamos ter de esperar anos até podermos, efetivamente, deixar os nossos cartões em casa.
E mesmo nos EUA, será que este sistema vai estar a funcionar em todas as cidades? Nas pequenas lojas e supermercados? Talvez, mas vai demorar. Talvez tanto como tem demorado a versão da Siri em português...
Seja como for, duvido que a Apple pay se espalhe por todo o mundo e chegue a todo o lado. Como, por exemplo, os souks de Marraquexe. Estou a exagerar, eu sei, mas apresentar a Apple pay como a maior inovação desde que surgiu o iPhone é um pouco demais, não é? Para revolucionar o mundo e a forma como fazemos as nossas compras, tal como anunciado, é preciso que a pessoa possa usufruir da Apple pay na sua plenitude, o que não acontecerá nos próximos anos.
Por tudo isto, centrar o iPhone 6 num software que só vai estar a funcionar parcialmente nos EUA, não me parece a melhor forma de convencer o mundo a comprar o novo iPhone.
Tal como também já se sabia, foi apresentado o Apple watch. Que nada mais é do que um relógio compatível com o Iphone, que funciona como uma versão mini do telefone. Fui bastante rápido? É que não há muito mais a dizer... A não ser que já existem relógios deste género, que é mais um gadget para carregar diariamente, que a Apple pay também funciona com o Apple watch e que o seu estilo está a anos luz dos concept que andam pela internet.
Em jeito de resumo, foi uma apresentação que deixou muito a desejar. Sim, o iPhone até é bonito. Sim, a Apple pay vai ser interessante. E sim, o Apple watch, daqui a uns anos, é capaz de ser mais convidativo. Mas pronto, ficamos por aqui. E isso é pena.
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