
Na semana passada fiquei a saber que mais um casal da minha família se vai divorciar (já são mais os divorciados do que aqueles que continuam casados com o mesmo companheiro de sempre).
Ele traiu-a, ela desconfiou, ele confessou e entre a mulher e amante escolheu a amante. (Sim, foi uma escolha dele. Seria normal que face a uma traição a mulher não o quisesse mais, mas neste caso não é assim).
História já vista e revista, tanto na realidade como na ficção.
O mais surreal para mim é que os filhos não ficaram incomodados com a situação (todos na casa dos 30). Acharam normal.
"O pai está apaixonado."
"Ele está mais feliz com a outra."
"Se ele não estava feliz já deveria ter ido embora há mais tempo."
A sério?? O divórcio é assim tão comum que já se tornou banal? Algo normal que acaba por acontecer mais cedo ou mais tarde?
Não interessa se o pai traiu a mulher com quem estava há mais de 30 anos? Não interessa se andou a traí-la por largos meses? Não interessa que a mãe fique agora sozinha?
Pode dar ideia que os filhos não gostam da mãe, mas não é nada disso. Parece-me que nem tomaram um lado. Simplesmente aceitaram esse facto com total normalidade.
Mas será que isso é bom? É evidente que é muito melhor do que haver grandes dramas e sofrimento, mas não quererá dizer algo?
Será que o casamento deixou de ser encarado como algo para uma vida?
Eu não entendo que um casal tem de ficar junto toda a vida independentemente de gostarem ou não do outro. Eu não defendo que um casamento se deva manter por causa de filhos. E considero que é muito melhor terminar uma relação do que andar um dos membros do casal a trair o outro.
Mas é esta aparente banalização que me incomoda...