Filipe Consciência

O fantasma de Hitler


 


Conforme noticiado recentemente pelo Público, há três anos, quando a antiga estalagem de Braunau-Am-Inn ficou devoluta, as autoridades locais austríacas decidiram tomar conta do edifício, pagando aos proprietários uma renda mensal de quatro mil euros. E porquê? Porque foi na estalagem de Braunau-Am-Inn que Adolf Hitler nasceu, e as autoridades quiseram evitar que o edifício entrasse na posse de organizações ou indivíduos de extrema-direita.


 


Três anos depois, o edifício continua sem qualquer utilidade, mantendo-se a despesa mensal para evitar que o espaço possa vir a ficar nas mãos de organizações ou particulares de extrema-direita.


 


Uma vez que a situação não pode permanecer assim, tem havido um intenso debate, à escala internacional, sobre o que fazer à estalagem. Há quem defenda que a estalagem deve ser transformada num museu dedicado às vítimas do Holocausto, de forma a destituí-lo do atual apelo a neonazis, que o visitam em homenagem a Adolf Hitler; outros que consideram que deve ser criado no seu lugar um centro de acolhimento aos imigrantes que Hitler desprezava; e ainda há quem defenda a transformação da estalagem num condomínio de luxo, o que não impediria, como diz o historiador Andreas Maislinger, que um casal de extrema-direita pudesse ir viver para lá com um filho a que decidiram chamar Adolf.


 


No meu entender, o melhor seria mesmo mudar drasticamente o local, transformando-o, como sugerido, num museu dedicado às vítimas do Holocausto. Porém,  é quase certo que o museu passará a ser um possível alvo de atentados.


 


Seja como for, e tal como é focado na reportagem do Público, a verdade é que o estigma continua e continuará a atormentar a cidade e seus habitantes. Por exemplo, todos os casamentos são proibidos naquela cidade no dia do aniversário de Hitler, desde que há uns anos um neonazi local tornou públicos os seus planos de se casar nesse dia.


 


E tudo isto, porque há cento e vinte e cinco anos Hitler nasceu naquela antiga estalagem. Tantos anos depois, não faltam excursões de neonazis ao local e, infelizmente, a situação não deve mudar. Porque independentemente do que exista naquele local, será sempre onde ele existiu. E os habitantes da cidade natal de Hitler nunca poderão descansar.


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