Durante muitos anos olhei para o gaveto da Avenida Fontes Pereira de Melo com a Avenida 5 de Outubro e lamentei o estado a que tinha chegado o edifício nele instalado, ao mesmo tempo que imaginava em que é que se iria transformar. De todas as vezes, imaginei uma recuperação das fachadas, criação de mais alguns (poucos) pisos à superfície, com uma arquitetura mais moderna (ao estilo edifício Heron Castilho) e a abertura de um hotel de charme.
Afinal, estava bem enganado. Segundo a Câmara as fachadas estão em tal estado de degradação, que já não é viável uma operação de reabilitação, pelo que o edifício existente vai ser demolido. Em seu lugar será construído um novo edifício de 17 andares, destinado a comércio e serviços, com mais 6 pisos em cave e 194 lugares de estacionamento.
Para além desta mudança, vai ser interrompida a circulação automóvel na Avenida 5 de Outubro e na Rua Viriato em frente ao quarteirão da Maternidade Alfredo da costa e criada uma praça através da qual será possível chegar à Avenida Fontes Pereira de Melo, percorrendo a pé um caminho acompanhado de superfícies comerciais.
No lado norte dessa praça haverá uma extensa superfície arborizada, designada por "bosque”. A ideia é que essa área, com uma plantação luxuriante, diversa na forma, cor e textura, faça o remate da Avenida 5 de Outubro, sirva de enquadramento de fundo à Casa-Museu Dr. Anastásio Gonçalves e permita a integração automática, por meio de cortina verde, da fachada tardoz do edificado situado na Rua Pinheiro Chagas.
O prédio é da autoria do atelier Barbas Lopes Arquitetos e, apesar das críticas que já se fizeram notar e da petição que corre na internet, parece-me uma boa forma de revitalizar aquela zona e resolver um problema que se arrasta há tantos anos.
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