Filipe Consciência

O terror da Rua Augusta

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Sou Lisboeta, adoro Lisboa, adoro passear por Lisboa (algo que tenho a sorte de poder fazer diariamente) e a Baixa está entre os meus bairros preferidos de Lisboa. E talvez seja por tudo isto que me custou tanto passear há dias pela rua Augusta. Não sei se isto que vou descrever acontece todos os dias, mas foi o que presenciei há uns dias, num dia de semana e à hora de almoço.


 


À medida que ia caminhando pela rua, fui interpelado:


- por dezenas de empregados de restaurantes que, fazendo o trabalho que lhes compete, estendiam menus à frente da minha cara, convidando-me a sentar e comer;


- por ciganos que tentavam vender óculos, malas, telemóveis, uns sacos com qualquer coisa estranha lá dentro...;


- por pessoas em segway a tentar vender excursões pela cidade;


- por um homem que insistia que tinha na rua ao lado um tuk tuk e que podia levar-me a Sintra;


- por pessoas de uma associação qualquer que queriam "apenas um minuto" para ajudar alguém;


- por pessoas que pediam desesperadamente por uma moeda para comer/sobreviver;


- por mimos/homens estátua/performers que pediam uma moeda;


- e por uma senhora que queria fazer-me um questionário para qualquer coisa que nem percebi.


 


A juntar a tudo isto, tinha de desviar-me constantemente das centenas de turistas que enchiam a rua e paravam sucessivamente para tirar fotos/selfies e ter atenção aos pombos que rasavam as cabeças de quem por lá andava.


 


Cada um estava a fazer o seu trabalho, nada contra, e é perfeitamente normal que os turistas queiram fotografar tudo (eu faço o mesmo). Mas juntar tudo isto na mesma rua, transforma a agradável experiência de caminhar pela rua Augusta num verdadeiro suplício. 

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