Filipe Consciência

Osteria – Cucina de Amici


 


Em Dezembro de 2012, Tânia Martins e Chiara Ferro decidiram abriram na Madragoa, em Lisboa, a Osteria – Cucina de Amici, reproduzindo em Portugal o conceito de uma verdadeira osteria – tasca típica italiana que serve uma cozinha simples, baseada em receitas tradicionais. E aqui isso não falha. As receitas já têm alguns anos, são de família, e a ementa organiza-se em entradas, pratos na panela, na frigideira, no forno e fritos. É a verdadeira cozinha italiana, no que esta tem de mais básico e humilde.


 


 


Parece excelente, não parece? Parece. No entanto, e só entre nós, o problema foi que decidiram levar demasiado à letra o conceito das osterias.


 


 


Tudo bem que queiram proporcionar aos clientes um ambiente descontraído e familiar, num espaço despretensioso, à boa maneira das tascas. Mas não exageremos…


 


 


As portas e janelas, escancaradas, permitiam entrar dezenas de moscas que, descontraidamente, voavam por cima das pessoas e comida. O cheiro, sentido ainda antes de se entrar, dava vontade de sair a correr. A comida, de tão básica e humilde, como querem propagar, não passa disso mesmo, básica e humilde (apesar de boa). E o atendimento é tão familiar, mas tão familiar, que os empregados tratam-nos por tu (e não, não foi uma vez por engano, durou toda a refeição) e falam connosco sobre tudo e mais alguma coisa, com alguma teatralidade pelo meio, justificando-se em seguida que ali não há quaisquer formalismos e que eles até são um pouco malucos. Como se ainda não tivesse dado para ver isso…


 


 


O conceito é bom e a comida, repito, até é boa. Mas não é nada de extraordinária, e o conceito, interpretado como sucede no Osteria – Cucina de Amici, é o seu maior defeito.


 


A não regressar, sem quaisquer dúvidas.


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