Filipe Consciência

Toda a verdade sobre recém-nascidos #2 - As noites

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Qual a diferença entre o dia e a noite? De dia faz sol e de noite está escuro. Certo. De dia estamos acordados e à noite dormimos. Errado. Esta última premissa só é verdadeira até ao dia em que nasce o nosso filho.


 


Sim, não me venham dizer que no último trimestre da gravidez já se dorme mal porque o organismo se prepara para o pós-parto. Para mim, isso é treta. Eu dormi bem todas as noites das 39 semanas em que estive grávida. Enfim, claro que numas dorme-se melhor que noutras, mas isso também acontecia antes da gravidez.


 


Mas, subitamente, o tempo passou e eis senão quando chega o grande dia e, consequentemente, a primeira noite a três. Bom, nessa noite dormimos mal. Mas mais por nossa causa, uma vez que o bebé teve de ser acordado para mamar a cada três horas e nos intervalos dormia pacificamente enquanto nós estávamos acordados a olhar para ele e a confirmar se respirava convenientemente...


 


A dura realidade veio a partir da segunda noite, ainda na maternidade. Aí começámos a perceber que entre uma mamada e outra, com mudança de fralda e tempo para adormecer o bebé, praticamente sobrava-nos uma horinha para dormir alguma coisa, sempre em sobressalto para ouvirmos o bebé a respirar, claro! Assim, de noites de oito horas de sono rapidamente passamos para quatro.


 


Já em casa, ao fim de alguns dias, começamos a perceber que não há duas noites iguais, e se hoje dormimos cinco horas, amanhã podemos perfeitamente dormir apenas três. Nunca se sabe. Se hoje dormimos bem entre a uma e as três, amanhã podemos não pregar olho até às quatro. Nunca se sabe. Se hoje o bebé parece um anjinho que come e dorme, amanhã pode chorar a noite inteira, sem sabermos porquê.


 


As noites passam, pois, a ser uma continuação do dia: mamadas de três em três horas, mudança de fralda, adormecer o bebé. E rezar. Rezar para que fique no berço, calminho, e para que durma pelo menos uma horinha seguida. Alguma vantagem nesta confusão entre o dia e a noite? Claro que sim, há que ver sempre o copo meio cheio, ainda que isso me pareça difícil às quatro da manhã... A principal vantagem, para mim, é que posso viajar já amanhã para Tóquio sem sentir o habitual jet lag, uma vez que esse é o meu estado habitual hoje em dia.


 


Mas há mais vantagens: já descobri que há vizinhos acordados no prédio em frente às mesmas horas da madrugada (é sempre consolo o mal não ser só nosso), já descobri que o camião do lixo passa aqui na rua às três da manhã (demorei oito anos para descobrir, mas mais vale tarde do que nunca) e já tive oportunidade de ver os mais belos nasceres do sol de verão de toda a minha vida (no inverno já estou habituada a ver nascer o sol a caminho do trabalho, mas no verão ainda não tinha acontecido)!


 


Portanto, só entre nós, nem tudo é mau. E há-de passar, como todos me dizem ultimamente. Espero, sinceramente, que sim. O meu filho não há-de pedir comida e colo até à adolescência... Pois não?



 


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Toda a verdade sobre recém-nascidos #1 - A amamentação

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